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domingo, 13 de setembro de 2026

Guiné 61/74 - P28343: (In)citações (290): Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes (Artur Conceição da CART 730)

1. Mensagem do nosso camarada Artur Conceição (ex-Soldado TRMS de Inf e Condutor Auto, da CART 730 / BART 733, Bissorã, Jumbembém e Farim, 1964/66), com data de 31 de Agosto de 2026:


Eventos de iniciativa de Antigos Combatentes

No princípio da década de 90 começaram a ter lugar os primeiros convívios de Antigos Combatentes pertencentes à mesma companhia e/ou ao mesmo batalhão. Esta iniciativa partia sempre da boa vontade de alguns antigos combatentes. Por meados da década de 90, quando os convívios já eram moda, apareceu uma nova modalidade, mas sempre com os mesmos objectivos.

Esta nova modalidade consistia de um convívio entre todos os naturais de uma mesma freguesia, que tivessem participado na guerra do ultramar. Convívios desta natureza reuniam sempre um número de presenças muito elevado, porque eram abertos a residentes e não residentes. Na freguesia de Campia, com 182 antigos combatentes, as presenças eram sempre superiores à centena. Muitas foram as freguesias que aderiram a esta modalidade, havendo mesmo casos de algumas onde à falta de iniciativa por parte de antigos combatente era a própria junta da freguesia a tomar a seu cargo a organização de um convívio, como era o caso da Freguesia de Cacia no Concelho de Aveiro.

Muitas associações de antigos combatentes como é o caso da “Tabanca Grande” tiveram e muitas ainda tem, os seus convívios anuais.

O número de convívios atingiu no ano de 2014 o valor 360, publicitados, estando esse valor reduzido para o ano 2026 a 70 convívios aproximadamente. Tudo terá um fim no dia em que todos os antigos combatentes façam parte das hostes celestes da Paz e do Amor.

O nosso camarada da Tabanca Grande, Victor Barata, alfacinha, nascido na cidade de Lisboa foi encontrar noiva na aldeia onde eu nasci. Casou com uma filha da Amélia da Laja e do padeiro de Caveirós, neta materna da Senhora Dália Campos, segunda prima direita da minha avó.

A encosta norte da serra do Caramulo é riquíssima em granitos de alta qualidade. Só para o pavimento do IP5 foram destruídos milhares de toneladas de granito azul transformadas em gravilha, sem que alguém gritasse, não destruam o património.

A Victor Barata procedeu à instalação de uma fábrica de serração de granitos e não de mármores como aparece num comentário do blogue. Só não está sepultado no cemitério de Campia por ter sido cremado na cidade de Viseu.

Nunca consegui que o camarada Victor Barata participasse nos convívios dos combatentes da freguesia de Campia. Uma divergência entre o Victor Barata e um dos quatro elementos da Comissão Organizadora de primeiro convívio realizado em Campia, Mário dos Santos Ferreira, Furriel de Transmissões da Companhia que estava sediada em Ingoré no ano de 1965.
O Mário dos Santos Ferreira, meu companheiro de carteira da primeira, dois anos, até à quarta classe não era pessoa fácil.

A divergência teve origem na aquisição de duas placas em granito, com a inscrição, “Ditosa Pátria que tais filhos tem” para serem colocadas nas campas dos dois mortos em combate, que estão sepultados no cemitério de Campia. Sendo amigo dos dois, tentei por mais que uma vez, sempre que me cabia a organização do próximo convívio, a reconciliação, mas sem resultados.

Sinto cada vez mais dificuldade em aceitar que amizades com mais de 30, 40, 50 anos, possam desaparecer por uma pequena quezília que não vale umas míseras cascas de alhos.

Como consequência destes convívios surgiu também a iniciativa do levantamento de Marcos Históricos aos antigos combatentes. Estes pequenos monumentos foram erguidos a nível de freguesia, como é o caso Campia, a nível de concelho e também a nível nacional como é o caso do Bom Sucesso em Lisboa. Também estes monumentos foram patrocinados pelos antigos combatentes como é o caso de Campia, por Autarquias Locais e também por outras entidades.


Este Monumento aos Antigos Combatentes, naturais da freguesia de Campia foi custeado pelos próprios Combatentes. A Junta de Freguesia de Campia cedeu o terreno e a Câmara Municipal de Vouzela honrou-nos com uma presença no dia da inauguração (13-11-1999).

Quase ao virar da esquina como nos indica a gíria popular, já no ano de 2025 surge uma iniciativa de um antigo combatente, Alferes Miliciano em Angola, natural de Macieira-a-Velha, freguesia de Macieira de Cambra do concelho de Vale de Cambra, de seu nome Martinho Tavares de Almeida, Professor de Educação Física Aposentado. A cidade de Vale Cambra faz parte da Área Metropolitana do Porto.

Com a colaboração de um Grupo de patrocinadores encabeçado pela Câmara Municipal de Vale de Cambra, este antigo combatente decidiu levar a cabo a seguinte tarefa:
Fazer uma recolha ao nível do Concelho de Vale Cambra de dados relativos a todos os naturais que tivessem participado na Guerra do Ultramar. Para além dos dados pessoais também foram recolhidos dados relativos ao Posto e à frente de combate onde teve lugar a sua participação.

À semelhança do que é pedido na adesão à Tabanca Grande também aqui foi usado o mesmo critério em relação à entrega de fotos.
A partir da recolha efectuada, foi feita a edição de um livro em formato A4 com uma primeira tiragem de 1500 exemplares, com 512 páginas e um peso superior a 2 quilos.

Cada um dos Antigos Combatentes ainda vivos, recebeu um exemplar de forma gratuita. Todos os familiares dos Antigos Combatentes já falecidos, que colaboraram com a iniciativa receberam do mesmo modo um exemplar de forma gratuita como é o meu caso.

As duas imagens a seguir mostram a frente e o verso da obra que foi feita a partir desta brilhante iniciativa.

Frente do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra
Contracapa do livro dedicado aos Antigos Combatente do Concelho de Vale de Cambra

A todos os antigos combatentes a quem foi concedido o privilégio de regressar à sua origem sem ser dentro de um caixote, lutaram para serem os melhores, para terem o reconhecimento daquilo por que passaram em defesa dos ideais da época.
De nada lhes valeu, cada vez valem menos e a cada vez que aparece algo de benesse para antigos combatentes logo aparecem as discórdias a gritarem que os antigos combatentes não são pessoas de bem.

É público de que os antigos combatentes não pagam medicamentos. Não é verdade porque apesar de existir na Constituição um Artigo 13.º que diz que somos todos iguais. Há a possibilidade de serem produzidos medicamentos para pobres e para ricos. O antigo combatente não paga medicamentos se apenas usar os medicamentos para pobres. Em caso contrário paga como pagam os outros.[1]

O livro faz referência a todas as figuras do Estado Novo que durante 13 anos conduziram a Guerra, às grandes operações, tais como a tomada da Pedra Verde e a Operação Mar Verde, às grandes catástrofes como afundamento de uma jangada que vitimou mais de uma centena[2], e a tragédia do Chão Manjaco. É de igual modo feita uma referência a todos os intervenientes do lado oposto.

Tenho muita pena que não exista em todos os restantes concelhos deste país um Alferes Martinho Tavares de Almeida com capacidade para levar a bom porto uma nau com tanta carga. Até à página 225 este livro é de uma enorme riqueza para quem gosta de História.

Nas primeiras 225 páginas há espaço para:

- 1. O Império Ultramarino e o Estado Novo
- 2. Factos que antecederam o Conflito Armado
- 3. Período anterior ao início do Conflito Armado
- 4. Início do Conflito Armado em Angola
- 5. Principais protagonistas
- 6. Teatros de operações
- 7. Movimentos independentistas
- 8. Grandes operações
- 9. Meios terrestres aéreos e navais
- 10. Quarteis e aquartelamentos
- 11. Armas de combate. Perfeita elencagem de todas as armas com ilustração de todas as armas usadas de ambos os lados.
- 12. Minas. A chamada guerra subterrânea
- 13. Alguns números da Guerra do Ultramar
- 14. As grandes tragédias
- 15. As nossas Enfermeiras na Guerra do Ultramar
- 16. A missão do movimento nacional feminino
- 17. O papel da Igreja no conflito
- 18. Factos relevantes
- 19. Personalidades que exerceram funções de chefia e comando envolvidas na guerra do ultramar
- Da página 226 até à página 463 foram colocadas todas as fotos acompanhadas de um pequeno perfil de todos os antigos combatentes do concelho de Vale de Cambra.

O segundo da última fila é o autor desta brilhante obra (Alferes Mil Martinho Tavares de Almeida)

- Da página 464 em diante estão transcritos os louvores atribuídos a todos antigos combatentes naturais de Vale de Cambra.
- Uma lista de todos os falecidos.
- Lista de feridos graves acompanhada de alguns depoimentos.
- Notícias publicadas em alguns jornais da época.


Para terminar deixar um grande abraço com elevado reconhecimento ao Autor
Os meus mais sinceros parabéns Dr. Martinho Almeida.


Artur Conceição
SPM 2578


******************************
2 . Notas do editor Carlos Vinhal:

[1] - Peço desculpa ao amigo Artur Conceição, mas por uma questão de justiça, venho afirmar que é incorrecto dizer-se que os Antigos Combatentes só têm direito a medicamentos para pobres. Em Portugal não há medicamentos para pobres e para ricos. Uma vez que há muita falta de informação e desinformação a mais, esclareço, a título pessoal, que o Estado comparticipa os Antigos Combatentes a 100% o preço de referência de todos e quaisquer medicamentos receitados e comparticipados pelo SNS, genéricos ou de marca.
Os utentes do SNS, em geral, não saberão, nem se aperceberão, de que há medicamentos cujo PVP (preço de venda ao público) é superior ao PR (preço de referência). O SNS, nestes medicamentos, só comparticipa o PR, ficando a diferença a cargo do utente. Nunca dei conta de ver no balcão da farmácia alguém perguntar porque está a pagar aquela importância e não menos.
Com os Antigos Combatentes passa-se o mesmo, às vezes pagamos uns cêntimos por causa da tal diferença, mas porque se intuiu que nos comparticipam (sempre) 100% do preço dos medicamentos, reclamamos por falta de conhecimento.
Um exemplo prático: o reumatologista receitou-me Lepicortinolo (um medicamento de marca, não genérico), cujo preço de venda ao público é 3,82€ e o preço de referência é 2,80€. Perante isso, paguei a diferença, 1,02€, sendo comparticipado a 100% do preço de referência.
Também não é justo dizer-se que os Medicamentos Genéricos têm uma eficácia inferior aos de marca. Está provado cientificamente que é mentira. Eu sou um dos que opta sempre pelos genéricos. O SNS não nada em dinheiro, cabendo a cada um de nós zelar pela sua sobrevivência.
Aconselho a leitura atenta do nosso Poste de 6 de Janeiro de 2025 > Guiné 61/74 - P26354: O nosso blogue como fonte de informação e conhecimento (109): Portaria n.º 372-C/2024/1, de 31 de Dezembro que estabelece as condições de acesso dos Antigos Combatentes a uma percentagem adicional de comparticipação sobre a parcela não comparticipada dos medicamentos pelo SNS

[2] - Aqui não sei se o nosso amigo Artur se se está a referir ao desastre da jangada durante a travessia do rio Corubal. Se sim, e se considerarmos vítimas os camaradas falecidos, foram 43.

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Nota do editor

Último post da série de 8 de agosto de 2026 > Guiné 61/74 - P28250: (In)citações (289): Hoje estou triste, embora seja grato por cada nascer do sol... (Tony Borié, ex-1.º Cabo Op Cripto)

sexta-feira, 27 de março de 2026

Guiné 61/74 - P27862: Humor de caserna (252): O anedotário da Spinolândia (XXIV): Na "cidade" em construção de Nhabijões, com o comandante dos fuzileiros "encallhado" no rio Geba (Jorge Mariano, ex-alf engenheiro químico, BA 12, Bissalanca, jan 71/out 72)



Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca / CAOP 2) > Nhabijões (ou Nha Bidjon) > 197 2> Vista aérea do reordenamento de Nhabijões (Fonte:   "Diário de Lisboa",   31 de Agosto de 1972, com a devida vénia)


Guiné > Zona leste > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca / CAOP 2) > Nhabijões (ou Nha Bidjon) > c. 1973 > Vista aérea do reordenamento de Nhabijões: o maior ou um dos maiores do CTIG, com 300 casas de zinco...(Fonte:  CECA, 2015, pág. 276)

 

1.  A forte mobilidade aérea foi uma marca da estratégia de Spínola na Guiné. Ele visitava frequentemente  aquartelamentos, destacamentos, reordenamentos e tabancas no interior,  sem falar das operações no mato que acompanhava de perto, usando de preferência o helicóptero Alouette III e também, ocasionalmente, avião ligeiro DO-27.  Era o terror de muitos comandantes de batalhão aparecendo a horas impróprias a quem via a guerra como um emprego das 9 as 5.

E praticamente saía todos os dias, o que criou uma convivência muito direta (e até uma certa cumplicidade) com pilotos e mecânicos da Força Aérea que, como se sabe, estavam instalados na BA 12, em Bissalanca. No período de 1968/70, um dos seus pilotos de heli preferidos era o nosso Jorge Félix. 

O anedotário da Spinolândia (*)  nunca poderia ficar completo sem o concurso  de pilotos, mecânicos e outros camaradas da FAP. A estes veteranos da guerra da Guiné estamos gratos pela recolha e partilha de algumas das melhores anedotas do nosso governador e comandante-chefe António Spínola. 

Esta é uma delas, contada pelo Jorge Mariano, ex-alf engº químico, da FAP, que vive em Coimbra.  Oficial do exército, foi requisitado pela FAP. Cumpriu uma comissão na BA 12, de janeiro de 1971 a outubro de 1972. Empresário e professor universitário reformado, é um excelente contador de histórias do nosso tempo (mesmo que não seja bom a recordar nomes de militares e de lugares).

(...) "Na BA12 fui comandar o serviço de Combustíveis – bombas Auto e Abastecimento de Aviões na linha da Frente e ainda os depósitos de Combustíveis no “Mato”: Farim; Aldeia Formosa; Bafata; Teixeira Pinto; Nova Lamego e outra que não recordo. [Devia ser Cufar, a Bissalanca do sul... (LG).] Dos pilotos existia também um oficial de combustíveis que era o Alf Carpinteiro. "(...)

Não resistimos a reproduzir aqui no nosso blogue, com a devida vénia ao autor e  ao blogue em boa hora criado, em junho de 2007, pelo nosso histórico e saudoso grão-tabanqueiro Victor Barata (1951-2021).  
Referimo-nos ao blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65-74, agora sob o comando do João Carlos Silva, também membros da Tabanca Grande, e do Mário Aguiar).

É uma história deliciosa, mas esquecida, publlicada há 14 anos, sexta-feira, 23 de março de 2012 > Voo 2773 > A “Cidade”. (No blogue do Victor, o "voo" corresponde a "poste": neste caso voo nº 2773.)


A “cidade” a sul do Geba, o gen Spínola e o grumete brincalhão

por Jorge Mariano


A meio da Comissão consegui lugar num quarto em Bissau junto à messe de oficiais, e passei a montar o meu escritório nocturno neste local que,  depois de uns uísques, fechava todos os dias.

Passava por lá também nessa ocasião,  a horas mortas, o major  ['cmd' Almeida] Bruno,  das Operações Especiais , onde se encontrava com o cap pára  [António] Ramos (já falecido), tmbém das Operações Especiais.

Um dia vi chegar o major Bruno e contar com grande entusiasmo uma decisão magistral que o gen Spínola teria tomado, que era de construir uma nova “cidade” a sul do Geba, pelo que entendi na altura, a sul de Bambadinca,  na outra margem para cortar as infiltrações do IN por esta zona. 

Estava longe de saber que, para aí, um mês depois, esta decisão iria dar lugar ao episódio mais cómico a que assisti durante toda a comissão.

Certo dia, passado o mês sobre o atrás referido, estava na Sala de Operações com o comandante Moura Pinto, o piloto Oficial de Dia e o srgt pil que normalmente transportava em heli  o gen Spínola (cujos nomes não recordo) e este piloto conta a seguinte cena, que passo a transcrever.

Parece que a operação para a construção da tal “cidade” teria sido iniciada, teria sido marcado o dia D para o arranque, tinha sido enviado um pelotão de Engenharia com as máquinas e uma companhia de Fuzos para fazer a segurança.

Como de costume, o gen Spínola ás 06h30 foi de heli com Srgt Pil que contou a estória,  para inspeccionar o andamento dos trabalhos.

Chegados,  aterraram junto ao acampamento dos Fusos e estava tudo muito desorganizado, era muito cedo, e o general chama um fuzo e pergunta:

 − Quem é comanda desta m*rda…? ( Overnáculo era uma característica do general)

Bom o nosso fuzo não sabia e foi procurar a outro,  até que lá disseram que era o sr comandante fulano tal (que não recordo o nome)

O general perguntou:

− Onde está ele? 

Aí os fuzos informaram que o senhor comandante teria pernoitado na LDG que se encontrava ao largo no Geba.

Como facilmente se percebe o general começa a ficar nervoso e pede que o chamem imediatamente. Bom,  mas agora há outro problema: não há rádio para comunicar com a LDG.

Então o general manda levantar o heli para comunicar com a LDG. Ao fim de algumas tentativas, conta o srgt pil, lá consegue comunicar com a LDG e diz que o gen está no acampamento e quer falar com o comandante da força.

Bom,  agora outro problema acontece. Para viajar da LDG para terra havia apenas um zebro mas um grumete atrevido andava a fazer piões no meio do Geba e naturalmente não tinha levado rádio.

O general ainda mais furioso manda o srgt pil ir com o heli indicar ao grumete do zebro para ir para LDG. O que acontecia, é que quanto mais sinais o sargento fazia, mais entusiasmado ficava o grumete e mais acelerava sem perceber que o estavam a chamar.

O general já estava “possesso”! Manda apresentar o comandante da força em Bambadinca e dirige-se para lá, aterra e fica á espera.

Depois desta cena o nosso comandante de Marinha, já sabia o que lhe ia acontecer, vestiu a farda branca,   tomou o zebro e dirigiu-se a Bambadinca.

O pior foi que entretanto a maré tinha descido e o zebro não chegava ao cais, ficava naquele lodo castanho a uns 5 metros da costa.

O Comandante de Marinha nessa altura disse:  

− Meu general,  não posso desembarcar,   o navio não chega á costa.

O General furibundo diz:

  Salte! 

O nosso homem saltou mas ficou todo sujo, de modo que, quando se perfilou para fazer a continência e se apresentar ao general, contava o srgt pil, mais parecia um pedinte com a farda branca toda salpicada de castanho, e todos que assistiam á cena riam a bom rir.

Também nós nos rimos até não podermos, quando ele, mal regressado de trazer o general, nos contou estas peripécias. Parece que o general retirou o comando ao oficial de Marinha e terá deixado o então major Fabião a comandar os fuzos.

(Seleção, revisão / fixação de texto, parênteses retos,  título: LG)


3. Comentário do editor LG:

A  "cidade" a sul do Geba, aqui referida, só pode ser o reordenamento de Nhabijões, tão profundamente ligada às nossas memórias... Mais difícil é dizer com exatidão quando é que ocorreu esta história, já que o início do reordenamento remonta a finais de 1969 (estudo prévio, trabalhos preparatórios, formação de equipas, etc.).

Da história da CCAÇ 12 (Contuboel e Bambadinca, maio de 1969 / março de 1971), reproduzo estes excertos:

(...) "A partir deste mês, novembro de 1969, 1 Gr Comb da CCAÇ 12 passaria a patrulhar quase diariamente as tabancas de Nhabijões cujo projecto de reordenamento estava então em estudo, a cargo da CCS/BCAÇ 2852.

"Nhabijões era considerado um centro de reabastecimento do IN ou pelo menos da população sob seu controle. As afinidades de etnia e parentesco, além da dispersão das tabancas, situadas junto à bolanha que confina com a margem sul do Rio Geba, tornava-se impraticável o controle populacional. 

"Impunha-se, pois, reagrupar e reordenar os 5 núcleos populacionais, dos quais 4 balantas (Cau, Bulobate, Dedinca e Imbumbe) e 1 mandinga, e ao mesmo tempo criar "polos de atracção" com vista a quebrar a muralha de hostilidade passiva para com as NT, por parte da população que colabora com o IN." (...)

A CCAÇ 12 participaria directamente neste projecto de recuperação psicológica e promoção social e económica da população dos Nhabijões, fornecendo uma equipa de reordenamentos e autodefesa, constituída pelos seguintes elementos (que f
oram tirar o respectivo estágio a Bissau, de 6 a 12 de Outubro de 1969):
  • alf mil at inf António Manuel Carlão (1947-2018) (originalmente o cmdt do 2º Gr Comb, que passou a ser comandado por um fur mil) (já falecido);
  • fur mil at inf  Joaquim Augusto Matos Fernandes (comdt da 1ª secção 4º Gr Comb):
  • 1º cabo at inf Virgilio S. A. Encarnação (cmd da 3ª secção do 4º Gr Comb);
  • e sold arv at inf Alfa Baldé (Ap LGFog 3,7, do 2º Gr Comb)
e ainda 2 carpinteiros (na vida civil), entre eles um 1º cabo aux enf.
 
A CCAÇ 12, além de ficar desfalcado de seis importantes elementos operacionais (e dois grupos de combate desfalcados),  participou ainda indiretamente neste projeto.  criando as condições de segurança aos trabalhos.

Numa primeira fase estava previsto levar a efeito:
  • a desmatação do terreno;
  • a fabricação de blocos de adobe;
  • a construção de 300 casas de habitação com portas, janelas e cobertura de zinco;
  • a construção de equipamentos sociais  (1 escola, 1 mesquita, fontes, acessos, etc.).
(...) "Durante este período a CCAÇ 12 realizaria várias acções, montando nomeadamente linhas descontínuas de emboscadas entre os núcleos populacionais de Nhabijões, além de constantes patrulhas de reconhecimento e/ou contacto pop.

"A partir de janeiro/70 seria destacado um pelotão da CCS/BCAÇ 2852 a fim organizar a autodefesa de Nhabijões. Admitia-se a possibilidade do IN tentar sabotar o projecto de reordenamento, lançando acções de represália e intimidação contra a população devido à colaboração prestada às NT.

"A partir de abril de 1970, o reordenamento em curso passaria a ser guarnecido por 1 Gr Comb da CCAÇ 12. Na construção de novo destacamento estiveram empenhados o Pel Caç Nat 52 e a CCAÇ 12, a 3 Gr Comb, durante vários dias.

"A segunda fase do reordenamento (colocação de portas e janelas e cobertura de zinco em todas as casas, abertura de furos para obtenção de água, etc.) começaria quando o BART 2917 passou a assumir a responsabilidade do Sector L1 (em 8 de junho de 1970).

"A partir de julho, a CCAÇ 12 deixaria de guarnecer o destacamento de Nhabijões, tendo-se constituído um pelotão permanente da CCS/BART 2917 enquadrado por graduados da CCAÇ 12." (...)

 Uma estimativa grosseira do custo deste reordenamento aponta para 2700 contos, em 1972 (300 casas de zinco x 9 mil escudos) (**)

Nhabijões tem 63 referências no nosso blogue. É um dos topónimos míticos da guerra no leste. O reordenamento foi um dos maiores sucessos da política spinolista "Por Uma Guiné Melhor"... E era a menina bonita do general Spínola, parando com frequência lá.

Mas também pagámos (a CCAÇ 12 e a CCS/BART 2917) um alto preço por este êxito: recordemos as duas minas A/C accionadas no dia 13 de janeiro de 1971, vitimando mortamente o sold cond auto da CCAÇ 12, Manuel da Costa Soares, e ferindo, com gravidade, o alf mil sapador Luís Moreira (da CCS/BART 2917), os fur mil Joaquim Fernandes e António F. Marques (este, esteve dois anos no hospital), os sold Ussumane Baldé, Tenen Baldé, Sherifo Baldé, Sajuma Baldé (todos da CCAÇ 12, 4º Gr Comb) e ainda um soldado da CCS / BART 2917 (cujo nome não me ocorre agora).

No meu caso, foi o meu dia de sorte, ia na GMC, no lugar do morto, que accionou a segunda mina, a explosão deu-se n0 rodado duplo, traseiro, do meu lado.

_______________

Notas do editor LG:


(**) Vd. poste de 4 de novembro de 2023 > Guiné 61/74 - P24821: As nossas geografias emocionais (15): o reordenamento de Nhabijões (ou Nha Bidjon), 300 casas de zinco que terão custado mais de 2700 contos (c. 700 mil euros a preços de hoje), fora a mão-de-obra, civil e militar, e ainda os custos indiretos e ocultos

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Guiné 61/74 - P24008: Blogues da nossa blogosfera (174): Cerca de metade dos nossos "favoritos" de há uns anos atrás (Letras de E a I) já não existem ou mudaram de URL


Guiné > Zona Leste > Região de Bafatá > Sector de Galomaro > CCAÇ 3491 (1971/74) > "Chegada a Galomaro da CCAÇ 3491 [pertencente ao BCAÇ 3872,]  no dia 9 de Março de 1973. No jipe podemos ver o alf  mil Luís Dias, atrás o fur mil Baptista,  do 1º Gr Comb,  e ao lado, a sorrir, um guerrilheiro do PAIGC que, no dia anterior, se tinha entregado a uma patrulha das NT  na área do Dulombi. A arma é uma Shpagin PPSH 41, no calibre 7,62 mm Tokarev, mais conhecida por "costureirinha" e com a particularidade de ter um carregador curvo de 35 munições, em vez do habitual tambor de 71". 

(Foto do Luís Dias, reproduzida com a devida vénia, do seu blogue, Histórias da Guiné, 71-74:  A CCAÇ 3491, Dulombi,. um dos blogues da nossa blogosfera que tem resistido à erosão do tempo...)

Foto (e legenda): © Luís Dias (2009). Todos os direitos reservados. [Edição e legendagem complementar: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]

1
. Continuamo a rever a nossa  lista (já antiga e nunca atualizada) dos  cento e poucos blogues e outras páginas na Net (c. 110) que faziam parte da nossa blogosfera... e que constavam / constam da coluna estática do nosso blogue, no lado esquerdo. 

Na altura, há mais de uma dúzia de anos, os antigos combatentes ainda não tinham desconbertas as "delícias" do Facebook... Hoje os blogues e outras "web pages" caíram em desuso... E outras redes sociais, como o Facebok,  ganharam popularidade... (Como diz a "publicidade", é fácil, é barato, é bom para desopilar, mandar umas "bocas foleiras" e fazer muitos "amigos virtuais" ... e sobretudo dá milhões aos seus donos.)

Hoje fizemos a verificação, desses blogue e páginas, de D a I (n=30). Metade desses sítios  já não existem, foram descontinuados, mudaram de URL... É o preço que se paga por uma existência virtual, que é sempre precária, dependente da boa vontade ou dos caprichos dos servidores (alguns que já não existem, como o Clix, o Sapo, o Terràvista...O Serviço de Alojamento Gratuito de Páginas Pessoais do Sapo, por exemplo,  foi descontinuado em dezembro de 2012.)

Os blogues e outras páginas que deixaram de estar "on line" vêm assinalados, em baixo, com um asterico (*). Nalguns casos têm novos endereços. Alguns destes "sítios" (ou "web pages")  poderão ser recuperados através do Arquivo.pt (**) (Experimentar também o Internet Archive, que explora cerca de 800 mil milhões de sítios na Web, através da sua "web archive",
a Wayback Machine.)


Embaixada da República da Guiné-Bissau em Portugal (*)



Um dos mais antigos (e participados) blogues sobre a Guiné e a guerra colonial. Remonta a 2007. Foi criado por Henrique Cabral, ex-fur mil at inf, CCAÇ 1420 / BCAÇ 1857, Fulacunda, Mansoa, Braia, Encheia, Uaque, Jugudul, Bissorã, K10, Olossato, Cutia, K3 e Mansabál (1965/67)


Criado em junho de 2007 pelo nosso saudoso camarada (e membro da Tabanca Grande) Victor Barata. Continua ativo, mas irregular, tendo agira ao comando o João Carlos Silva e o Mário Aguiar.


Expresso África > Guiné Bissau  (*)

Página descontinuada. Criada elo semanário Expresso. Estava alojada no Portal Clix, que foi desligado.


Fórum Armada, Página não-oficial da Marinha de Guerra Portuguesa (*)

Página descontinuada, por estar alojada no Sapo. Pode ser vista aqui, capturada pelo Arquivo.pt:



Agora Fundação Mário Soares e Maria Barroso  > https://fmsoaresbarroso.pt/

Vd. também Casa Comum > Arquivos > Amílcar Cabral


  • Guerra Colonial - Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra (UC)

"Criado no âmbito da Reitoria da Universidade de Coimbra em Dezembro de 1984, o Centro de Documentação 25 de Abril (cd25a) é hoje uma das Unidades de Extensão Cultural e de Apoio à Formação (UECAFs) da UC. 

"Instalado no Colégio da Graça na Rua da Sofia, desde julho de 2016, visa recuperar, organizar e pôr à disposição da investigação científica o valioso material documental disperso pelo país e estrangeiro sobre a transição democrática portuguesa (o 25 de Abril de 1974, os acontecimentos preparatórios e as suas principais consequências), mas também sobre toda a segunda metade do século vinte português."


Vd. novo endereço: https://www.cd25a.uc.pt/pt

  • Guerra Colonial (1961-1974) - Vídeos e Documentários RTP



Destaque para as "coleções temáticas": História

25 de Abril de 1974 (88 documentos)

"Para solicitar cópia de um determinado conteúdo basta registar-se como utilizador e pressionar o botão LICENCIAR CONTEÚDO disponível na pagina de cada conteúdo, ou, caso o conteúdo que pretenda não esteja ainda disponível neste portal, aceder à área de Serviços e preencher e enviar o formulário de pedido de licenciamento."


Guerra Colonial (1961-1974), Portal da A25A (*)

Portal descontinuado. Ver captura pelo Arquivo.pt:


Guerra Colonial Portuguesa, Página de Jorge Santos (*)

Uma das mais antigas (http://guerracolonial.home.sapo.pt/). Estava alojada no Sapo (acrónimo de Servidor de Apontadores Portugueses Online). Foi descontinuada. Não parece ter sido recuperada pelo Arquivo.pt

Jorge Santos, um incansável mas sempre discreto membro, sénior, da nossa Tabanca Grande, já de longa data.  Não temos nenhuma foto dele, nem antiga nem actual. Foi 1º Grumete Fuzileiro (DFA), Companhia de Fuzileiros nº 4, em Moçambique, Metangula e Cobué, de janeiro de 1968 a abril de 1970.

Criou, em março de 2006, o sítio "Guerra Colonial Portuguesa", tendo como principais secções: Bibliografia, Filmografia, Associações, Canções de Lisboa, Memorial, Monumentos, Convívios, Brasões, Condercorações.  Teve um problema de saúde em 2009 quando estava na Noruega.

  • Guerra Colonial, Vídeos no Google

 Procurar agora em Google > Guerra Colonial > Vídeos. Muitas disponíveis no You Tube.

Oficialmente chama-se "Portal UTW - Dos Veteranos da Guerra do Ultramar"... Abrange todas as "antigas províncias ultramarinas portuguesas",  Angola, Guiné, Moçambique, Cabo Verde, Índia, Macau, São Tomé e Príncipe, Timor, 1957-1975. 

O fundador do portal UTW é o nosso camarada António Pires, ex-furriel mil mecânico auto da CSM/QG/RMM (Moçambique 1971/1973).

 Tem uma impressionante base de dados, sobretudo no que respeita a mortos no ultramar (de 1954 a 1975) (discriminados por concelho de naturalidade), louvores e condecorações, brasões, guiões e crachás (coleção Carlos Coutinho)...

Também tem página no Facebook (UTW Ultramar Terraweb).



Guerra na Guiné 63/74 - Página de Carlos Silva (*)

Outra página de um camarada nosso. Foi descontinuada. Não nos foi possível recuperá-la pelo Arquivo.pt


Guiledje (1 a 7 de Março de 2008), Simpósio Internacional de (*)

Pàgina descontinuada. Criada pela ONGD AD - Acção para o Desenvolvimento, o principal promotor do evento,


"O Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO foi fundado por Fernando Casimiro “'Didinho' a 10 de Maio de 2003. É um Projecto que visa incutir e desenvolver o espírito e a capacidade de reflexão e do debate de ideias na Guiné-Bissau e nos guineenses, onde quer que se encontrem.

"O Projecto Guiné-Bissau CONTRIBUTO é um Projecto de Gerações, para gerações!"
 
Guiné-Bissau, Página da AD - Acção para o Desenvolvimento (*)

Criada em 2006, esteve ativa em vida do Pepito, cofundador e primeiro diretor executivo da ONGD AD... Fomos recuperá-la através do Arquivo.pt


Literatura, fauna, ecologia, gastronomia... Uma página criada e mantida com muito carinho pela guineense Maria Estela Guedes.


Guiné-Bissau, Portal de Carlos Fortunato (*)


"Guiné-Bissau: centenas de fotografias, filmes, e textos, sobre história, cultura, economia e viagens Guiné-Bissau onde a amizade tem mais calor humano". O Carlos Fortunato é um dos históricos do nosso blogue.

Criado em 2003, já não existe. Estava alojado no Sapo- Fomos recuperá-lo através do Arquivo.pt...

https://arquivo.pt/wayback/20080218143829/http://portalguine.com.sapo.pt/index.html


Guiné-Bissau, Vídeos no Google (*)

Jà não existe... Mas em alternativa pode-se pesquisar no  Google > Guiné-Bissau Videos... Há dezenas no You Tube

Guine-Bissau. com, Portal noticioso (*)

Foi desativado.

Guiné: Ir e Voltar - Tantas Vidas, Blogue de Virgínio Briote, Cascais (*)

O Virgínio Briote  teve um dos melhores blogues sobre a guerra da Guiné,  que infelizmente decidiu desativar. Chamava-se "Guiné, Ir e Voltar" ou "Tantas Vidas":  http://tantasvidas.blog.pt/

Publicou postes entre janeiro de 2006 e março de 2009. Textos de antologia que mereciam conhecer o prelo. Depois achou que tinha dito tudo... Fechou o blogue (e o baú).

Mas o Arquivo.pt que anda há muito, desde 1996, à caça de páginas na Web, de preferência em português, não lhe pediu licença e foi-lhe fazendo sucesssivas capturas de páginas do seu blogue... 

Só há dias é que ele, Vb,  soube, porque eu lho disse. A última captura foi em 24 de maio de 2009, às 21h54... Veja-se aqui o endereço:

https://arquivo.pt/wayback/20090925034743/http://tantasvidas.blog.pt/



"Background: Since independence from Portugal in 1974, Guinea-Bissau has experienced considerable political and military upheaval. Guinea-Bissau’s history of political instability, a civil war, and several coups (the latest in 2012) have resulted in a fragile state with a weak economy, high unemployment, rampant corruption, and widespread poverty."


"Espaço de confraternização para todos aqueles que, como combatentes, tiveram de percorrer as matas, as bolanhas, as picadas e os rios da Guiné, entre Dezembro de 1971 a Março de 1974, em especial invocar aqui a história e as "estórias" dos elementos da C.CAÇ 3491, aquartelados em Dulombi e também em Galomaro, e que tiveram grupos de combate em apoio de Cancolim, Piche, Nova Lamego, Bambadinca e Pirada. Fomos dos últimos combatentes do denominado 'Império Português - o V Império'."

Blogue criado, editado e mantido por Luís Dias (desde 2008).

"Criado em 1951 como instituição privada de utilidade pública, o IMVF é uma Fundação para o desenvolvimento e a cooperação, tendo iniciado atividade como ONGD em 1988 em São Tomé e Príncipe. 

"A partir dos anos 90 expandimos a nossa ação a outros países, com predominância aos de língua oficial portuguesa, e alargámos as áreas de atividade. Os resultados alcançados tornaram o IMVF numa entidade de referência nos domínios da cooperação, da cidadania global e da reflexão sobre o desenvolvimento".



Guiné > Região do Cacheu > Bula > CCAV 2487 / BCAV 2862 (Bula, 1969/70) > 18 de Outubro de 1969 > Dois mortos e um ferido no decurso da Op Ostra Amarga (também ironicamente conhecida como Op Paris Match)...

As NT (2 Gr Comb da CCAV 2487, comandadas pelo cap cav José Sentieiro, hoje cor cav ref e cruz de guerra de 1ª classe (, a viver em Torres Novas,) caem num emboscada do PAIGC, às 7h15 da manhã... O combate é registado por uma equipa da televisão francesa, a ORTF...

Foto: INA - Institut National de l' Audiovisuel (2006) / Cópia pessoal de Virgínio Briote 


Tem cerca de 3 dezenas de vídeos sobre a Guiné-Bissau, incluindo a guerra colonial.

  • INE - Instituto Nacional de Estatísticas, Bissau (*)


"Fundado em 1984, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisa (INEP) tem como objectivos principais promover os estudos e pesquisas no domínio das ciências sociais e naturais relacionados com os problemas de desenvolvimento do país e contribuir para a valorização dos recursos humanos locais. 

"A actividade principal do INEP consiste na realização de investigação fundamental e na elaboração de estudos, sendo constituído por um corpo de investigadores nacionais permanentes e uma rede de investigadores associados nacionais e estrangeiros. Leva igualmente a cabo actividades académicas que incluem conferências, colóquios, seminários, jornadas de reflexão, que visam a difusão dos resultados das investigações científicas e o desenvolvimento do próprio Instituto. 

"Em poucos anos o INEP tornou-se um ponto de referência nacional e internacional de reflexão científica sobre a África Ocidental em geral e a Guiné-Bissau em particular. Dezenas de trabalhos sobre a realidade social guineense, uma centena de artigos e publicações periódicas permanentes confirmam a validade desde Instituto."

O INEP mantém em suas instalações a Biblioteca Pública Nacional, com cerca de 70.000 volumes e os Arquivos Históricos Nacionais da República da Guiné-Bissau, depositários de toda a documentação colonial e pós-colonial  O edifício foi praticamente destruído no decurso da guerra civil de 1998/99.

Tem página no Facebook mas inativa desde junho de 2017.
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Notas do editor:

(*) 14 de janeiro de 2023 > Guiné 61/74 - P23982: Blogues da nossa blogosfera (171): Cerca de metade dos nossos "favoritos" de há uns anos atrás já não existem ou mudaram de URL

quarta-feira, 2 de novembro de 2022

Guiné 61/74 - P23756: In Memoriam (460): Homenagem ao fundador da Casa da Académica de Lafões, Victor Barata, levada a efeito no passado dia 28 de Outubro de 2022, em Paredes Velhas, Vouzela

1. Em mensagem do dia 27 de Outubro, o nosso camarada Artur Conceição enviou-nos o recorte de jornal com a notícia de uma homenagem ao nosso camarada Victor Barata, falecido há exactamente um ano, fundador da Casa da Académica em Lafões, a levar a efeito no dia 28 de Outubro de 2022:

Olá amigo Carlos Vinhal
Mais um dos nossos vai ser homenageado
É já amanhã…

Um grande Abraço
Artur Conceição



2. Entretanto, pesquisando na net, encontrámos esta notícia do dia 19 de Outubro no Notícias de Vouzela, que com a devida vénia publicamos:

Fundador da Casa da Académica em Lafões vai ser homenageado no dia 28


O fundador da Casa da Académica em Lafões (CAL), Victor Barata (1951-2021), vai ser homenageado no dia 28 de Outubro, numa cerimónia de tributo a um homem que muito deu àquela instituição e sempre foi muito querido junto da comunidade regional. O evento vai consistir num jantar-convívio com um espectáculo de fado Coimbra e está a ser preparado por um grupo de amigos ligados à instituição com sede em Oliveira de Frades, que se encontra inactiva há vários anos.

Leia o artigo completo na mais recente edição do seu Notícias de Vouzela

...E no dia 27, no mesmo jornal:

A homenagem ao fundador da Casa da Académica em Lafões, Victor Barata, realiza-se esta sexta-feira, dia 28, no restaurante Cantinho da Céu, em Paredes Velhas. O evento tem início às 20h30 e incluirá um jantar e um momento musical com Fado de Coimbra.

Leia o artigo completo na mais recente edição do seu Notícias de Vouzela


3. Não temos mais pormenores mas congratulámo-nos por saber que o nosso saudoso camarada Victor Barata foi alvo desta homenagem pública por ter fundado a Casa da Académica de Lafões.

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Nota do editor

Último poste da série de 29 DE OUTUBRO DE 2022 > Guiné 61/74 - P23748: In Memoriam (459): João Pedro Candeias da Silva (1950 - 2022), ex-Fur Mil At Inf, CCAV 3404 (Cabuca, 1972), CCAÇ 12 (Bambadinca e Xime, 1973) e CIM Bolama (1973/74)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Guiné 61/74 - P23005: Notas de leitura (1420): "Um caminho de quatro passos", de António Carvalho (2021, 219 pp.): apontamentos etnográficos para o retrato da nossa geração, de antigos combatentes - Parte III (Luís Graça): uma excursão a Lisboa, de 4 dias, em 1959


Guiné > Bissau > s/d [1971/73 ] > Um autocarro dos transportes colectivos de Bissau, carreira Bissau/Bissalanca!... Uma verdadeira peça de museu...  Tinha tejadilho, como o da excursão a Lisboa, em 1959, aqui narrada pelo António Carvalho... Mas seria seguramente de um modelo muito mais antigo... Matrícula G-620...  Empresa: ABP (?)... Uma foto para o nosso Álbum das Glórias... Foto do nosso saudoso Victor Barata (1951-2021), o "Vitinho".

Foto (e legenda): © Victor Barata (2007). Todo os direitos reservados. [Edição e legendagem complementa: Blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné]



Capa do livro: António Carvalho - Um Caminho de Quatro Passos. 
Rio Tinto: Lugar da Palavra Editora, 218 pp., ISBN: 978-989-731-187-1.


1. Para além das pequenas histórias relacionadas com a sua experiência como furriel miliciano enfermeiro no sul da Guiné, durante dois anos (CART 6520/72, Mampatá,1972/74), já aqui reproduzidas na série "Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho..." (vd. os oitos postes publicados) (*),  encanta-nos, na primeira parte do livro "Um caminho de quatro passos,  as memórias da infância do autor passada em Medas, Gondomar, num ambiente rural que muitos de nós conhecemos, tanto no Portugal continental como insular.

Como já tivemos ocasião de o dizer, são apontamentos, observações, registos, relatos, pequenos retratos e histórias de pessoas da família e outros conterrâneos. de inegável interesse etnográfico ou documental para se poder conhecer um pouco melhor a infância e a adolescência da geração que fez a guerra colonial / guerra do ultramar, bem como as suas  origens (**).

Por outro lado, o António Carvalhal tem um grande talento narrativo e sabe usar, com maestria, o léxico próprio das suas gentes, vocábulos e expressões que não se usam no Sul (como moletes, canalha, coxão de  carneiro).  

Em dia de anos (72), e em sua homenagem,  tomamos a liberdade de reproduzir aqui mais um excerto de uma das suas saborosas narrativas, a excursão que fez a Lisboa, de 4 dias, em 1959, acompanhado do mano Fernando, do avô e do tio-avô (que era professor) e dos filhos deste, seus primos. Para os putos da província, ir à capital do império, nesse tempo, era uma pequena grande aventura... à ida passaram pelo Mosteiro da Batalha e , no regresso, ainda passaram pelo Estoril e por Mafra...

Mas o nosso António, com os nove anos feitos,  estava longe de imaginar que os "sinos do império" iriam tocar a rebate, menos de 2 anos depois... E que a guerra colonial / guerra do ultramar também iria sobrar para ele e para o mano Manel... (LG)

 

A EXCURSÃO

por António Carvalho


O nosso avô tinha-se distraído das horas, deslumbrado com o movimento da cidade grande, na companhia do cunhado. Um tinha levado os netos, o outro os filhos que lhe vieram bem tarde. Os netos éramos nós, eu e o meu irmão Fernando, os filhos iam sob a autoridade de um pai já tão avantajado na idade que bem podia ser avô deles.

Nós e os nossos primos ficámos por ali, enquanto os cunhados se passeavam pelas artérias da urbe, olhando as novas formas da cidade, os grandes prédios das avenidas novas, os cafés e leitarias, os fatos e até os vestidos e saias esticadas, que emproadas mulheres de lábios pintados envergavam.

Tínhamos saído no dia anterior, para uma excursão a Lisboa, que demoraria quatro dias. Entrámos na camionete, no Largo da Igreja, ainda o dia se não tinha feito, e lembro-me que trazíamos uma cesta de verga com tampa e um garrafão de verde tinto do nosso, que o chofer acomodou, subindo pela escada da traseira da camionete, no tejadilho, conforme faria com os merendeiros que todos levavam para o consumo, se não de toda a viagem, pelo menos para as primeiras jornadas.

Não era qualquer um que se podia dar ao luxo, em 1959, de integrar aquele grupo excursionista, embora já se tivesse tornado, por esta quadra, mais acessível uma digressão destas do que as primeiras que se fizeram nas décadas anteriores. O ano de 1930 marca o início do ciclo dos automóveis e das camionetes na freguesia, com a chegada da estrada à igreja. Em 1934, o bilhete para uma viagem de três dias, a Fátima, custava sessenta e cinco escudos, o equivalente a sete dias de labor de um trabalhador já com alguma especialização. Mais tarde, em 1941, um bilhete, para uma viagem de idêntico itinerário, custava oitenta escudos, quantia que o mesmo trabalhador auferia em cinco dias. 

Instalou-se no primeiro banco, logo a seguir aos dois degraus que teve que escalar com o esforço que lhe impunha o sacana do reumatismo que lhe pegara logo depois dos cinquenta. Tinha reservado ali dois lugares, o do lado do corredor para si, ficando, por deferência, o da janela para o cunhado e amigo, professor. Este era irmão da minha avó e exerceu o magistério primário, na escola do lugar de Vila Cova, preparando para a vida várias gerações de medenses, durante o longo período de trinta e nove anos, só superado pelo professor José Moreira Gomes que lecionou durante quarenta e três anos, nessa mesma escola.

Nós, a canalha, iríamos mais atrás. Depois daquela primeira estação, o autocarro pararia apenas em dois outros sítios, para se engordar dos pouco mais de quarenta passageiros. Em Vila Cova entraria o cunhado, professor, com os dois filhos. Instalou-se, ainda que relutante, no lugar do lado direito do meu avô, junto à janela, por achar perigoso fazer a viagem naquele posto avançado, sem a proteção que lhe dariam as costas do banco da frente. O problema é que na frente do seu lugar só existia o precipício formado por aquele poço das escadas. Poderia, se o chofer tivesse que travar a fundo, cair de escantilhão, naquele buraco fronteiro formado pelas escadas, mas como o cunhado lhe tinha, por amabilidade, arranjado aquele poleiro, mais não podia fazer do que se precaver, agarrando-se a uma guarda de ferro, uma espécie de corrimão, que lhe dava pelo umbigo.

Nós, o bando dos quatro rapazinhos, éramos dos poucos, talvez os únicos da nossa idade, daquela caravana, que um passeio daqueles era mais para gente grande. Lembro-me do Mosteiro da Batalha e da impressão que me causaram as colunas enormes debaixo de arcos ogivais que pareciam poder ruir a todo o momento, das estátuas jacentes e das rosáceas policromáticas.

Na memória me ficou também a imagem icónica da Torre de Belém e o gigantismo dos Jerónimos. Mas se pasmei perante a visão desses monumentos, pela sua grandiosidade e valor simbólico, como marcos de afirmação da independência e púlpitos da epopeia marítima, confrontado com a aparente modéstia do Palácio de Belém, senti-me desiludido, porque julgava que ele não tinha, proporcionalmente, a relevância institucional do seu locatário. Mais tarde vim a saber que, afinal, naquele tempo, o ápice do poder, estava no Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar.

Os quase dois dias de paragem em Lisboa deram para tudo o que precisávamos de ver e fruir, segundo o plano que o meu avô tinha mentalmente traçado e, naquele caso, o que lhe servia também a nós interessava. Atravessámos o rio, muito mais largo que o nosso Douro, numa barcaça, até Cacilhas, de onde se via agigantada a cidade, fomos ao Jardim Zoológico e ainda andámos de metro, debaixo do chão, como nunca tínhamos experimentado.

Ao segundo dia o sol acordou-nos, de manhã, já em Lisboa, onde tínhamos chegado pela noite dentro e dormido, enroscados, sobre os macios assentos de couro da camionete. O meu avô levou-nos a uma leitaria ali bem próxima do largo onde a camioneta se ancorou e de onde só saiu no dia do regresso a casa, com passagem pelo Estoril e pequena paragem em Mafra.

Eu e o meu irmão comemos dois moletes com manteiga e bebemos uma chávena de café com leite cada um e o mesmo terá sucedido com os nossos primos que se sentaram com o pai na mesma mesa. Foi aí que eu fiquei a saber, quando tivemos que traduzir, para o empregado de mesa, moletes por papos-secos, que os nomes de algumas coisas podem ser diferentes quando mudamos de cidade.

Julgavam os cunhados que a canalha poderia ficar ali, queda e serena, enquanto eles iam vadiar pela cidade ? Os nossos primos, esses bem admoestados pelo seu pai, cumpriram quase todas as normas, mas eu e o meu irmão, cansados de andar por ali a calcorrear ruas, por um perímetro que nos parecia seguro, já não quisemos esperar mais pelo almoço que estava à nossa espera, naquela cesta grande arrumada sobre o tejadilho da camionete.

A agilidade e a sofreguidão empurraram-nos pelo escadote de ferro até lá acima , subestimando os avisos que o nosso avô nos fizera. Havia ainda dentro daquela grande lancheira, um alguidar de arroz a par de outro com um avantajado coxão de carneiro. Foi a primeira e única vez que almocei sobre um autocarro e, por certo, nunca mais repetirei a experiência, porque já não há autocarros com cestas no tejadilho. (...) (pp. 154/156).


Selecão de excertos, e negritos, da responsabilidade do editor LG. (***)
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Fonte: António Carvalho - Um Caminho de Quatro Passos. Rio Tinto: Lugar da Palavra Editora, 218 pp., ISBN: 978-989-731-187-1.

O livro pode ser adquirido, ao preço de 15,00 Euros (portes incluídos, no território nacional ou estrangeiro) Contactos do autor, António Carvalho, Medas, Gondomar

Email: ascarvalho7274@gmail.com 
Telemóvel: 919 401 036


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Notas do editor:

(*) Vd. postes de:

24 de fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21942: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (8): O valor da seringa

22 de fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21935: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (7): O milagre de Nhacobá

19 de fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21920: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (6): O soldado dos pés inchados

17 de Fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21912: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (5): Dormir com o inimigo

15 de Fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21905: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (4): A vaca

12 de fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21891: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (3): O canhangulo

10 de Fevereiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21880: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Mampatá, 1972/74) (2): Despejado na Guiné

12 de janeiro de 2021 > Guiné 61/74 - P21762: Projecto de livro autobiográfico, de António Carvalho, ex-Fur Mil Enfermeiro da CART 6250/72 (Manpatá, 1972/74) (1): Contra os canhões marchar, marchar...

(**)  Vd. postes anteriores:



(***) Último poste da série > 16 de fevereiro de 2022 > Guiné 61/74 - P23003: Notas de leitura (1419): Prefácio do nosso camarada Adão Cruz, ex-alf mil médico, CCAÇ 1547 / BCAÇ 1887 (Caquelifá e Bigene, 1966/68) , ao livro "A Máscara (teatro)" (2015), de Alberto Bastos, ex-alf mil op esp, CCAÇ 3399 / BCAÇ 3852 (Aldeia Formosa, 1971/73)

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

Guiné 61/74 - P22677: Efemérides (354): No Dia de Finados, lembremos os nossos queridos mortos: nos últimos dois anos, em 2020 e 2021, em plena pandemia de Covid-19, a morte levou 36 de nós (31,3%) num total de 115 mortes registadas (13,8% dos 854 membros da Tabanca Grande)


Vouzels > Campia > Junho de 2021 >  Um das últimas fotos de grupo (*)  com o Victor Barata (1953-2021) (**), aqui sentado à mesa,  ao centro. Era carinhosamente tratado por "Vitinho". Foi o fundador e o grande animador do blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74.

Um grupo de  camaradas e amigos de Coimbra foi visitá-lo (e homenageá-lo) na sua casa, em Campia, Vouzela,  no no distrito de Viseu, nos princípios de junho de 2021, já ele já estava bastante debilitado pela doença crónica degenerativa que virá a   causar  a sua morte, em 25 de outubro último. A foto é de Augusto Ferreira, 2º Srgt Mil Melec/Inst/Av (*). Reproduzida aqui com a devida vénia.


1. Entre vivos e mortos, a lista dos amigos/as e camaradas  da Guiné, pertencentes à Tabanca Grande, soma já 854... Ao fim de 17 anos e meio de existência (, vamos fazer 18, em 23 de abril de 2022, se lá chegarmos).

No entanto, aqueles e aquelas que "da lei da morte já se foram libertando" (n=115), representam já 13,8% do total.  Os seus nomes constam da coluna estática do blogue, no lado esquerdo. Os dois últimos, e mais recentes, foram o Victor Barata (1953-2021) e o Queta Baldé (1943-2021).

Dos nossos queridos mortos, mais recentes, nos últimos dois anos, registamos, com grande pesar, que ultrapassaram as 3 dezenas, mais exatamemte 36: 11 em 2020 e 25 em 2021... (Estes últimos estão destacados a vernelha, na lista alfabétoca dos membros da Tabanca Grande, na coluna do lado esquerdo.)

Não sabemos com rigor quantos deles morreram na sequência directa ou indireta da pandemia de Convid-19, mas este número (36) representa  quase um terço )31,3%) do total das mortes ocorridas nestes anos todos... 

Será uma sobremortalidade, a deste ano, ou o resultado inevitável do nosso progressivo e irreversível envelhecimento, com tendência, portanto, a aumentar nos próximos anos ?

Por outro lado, estes números das nossas "baixas mortais" devem pecar por defeito: há membros da Tabanca Grande de que não temos notícias há anos, ou seja, são camaradas que não fazem "prova de vida", por email, telefone ou colaboração no blogue... (Razão pela qual, também, deixámos de celebrar o seu aniversário, nos casos em que estávamos autorizados a fazê-lo). Alguns, como o António Paiva, por exemplo, já terão morrido... Mas não temos confirmação (ofcial ou oficiosa) do seu falecimento.

Recordemos hoje, isso sim, no Dia de Finados (, habitualmente comemorado no feriado de 1 de Novembro), e mais uma vez, os nomes dos nossos amigos e camaradas que nos deixaram nestes últimos 22 meses (e que vão destacados a negrito), mas também, todos os demais que estão no nosso mural (n=115).

Saibamos honrar a sua memória, deposi de os ter resgatado da "vala comum do esquecimento" (***).

A

Agostinho Jesus (1950-2016) 
Alcídio Marinho (1940-2021)
Alfredo Dinis Tapado (1949-2010)
Alfredo Roque Gameiro Martins Barata (1938-2017)
Amadu Bailo Jaló (1940-2015)
Américo Marques (1951-2019)
Aniceto Rodrigues da Silva (1947-2021)
António da Silva Batista (1950-2016)
António Dias das Neves (1947-2001)
António Domingos Rodrigues (1947-2010)
António Manuel Carlão (1947-2018)
António Manuel Martins Branquinho (1947-2013)
António Manuel Sucena Rodrigues (1951-2018)
António Rebelo (1950-2014)
António Teixeira (1948-2013)
António Vaz (1936-2015)
Armandino Alves (1944-2014)
Armando Teixeira da Silva (1944-2018)
Augusto Lenine Gonçalves Abreu (1933-2012)
Aurélio Duarte (1947-2017)

C/H

Carlos Azeredo (1930-2021)
Carlos Cordeiro (1946-2018)
Carlos Domingos Gomes (Cadogo Pai) (1929-2021)
Carlos Filipe Coelho (1950-2017)
Carlos Geraldes (1941-2012)
Carlos Marques dos Santos (1943-2019)
Carlos Rebelo (1948-2009)
Carlos Schwarz da Silva, 'Pepito' (1949-2014)
Celestino Bandeira (1946-2021)
Clara Schwarz da Silva (1915-2016)
Cláudio Ferreira (1950-2021)
Cristina Allen (1943-2021)

Cristóvão de Aguiar (1940-2021)

Daniel Matos (1949-2011)
Domingos Fernandes (1946-2020)

Eduardo Jorge Ferreira (1952-2019)

Fernando Brito (1932-2014)
Fernando [de Sousa] Henriques (1949-2011)
Fernando Franco (1951-2020)
Fernando Rodrigues (1933-2013)
Francisco Parreira (1948-2012)
França Soares (1949-2009)

Gertrudes da Silva (1943-2018)

Humberto Duarte (1951-2010)

I/J

Inácio J. Carola Figueira (1950-2017)
Isabel Levezinho (1953-2020)
Ivo da Silva Correia (.c 1974-2017)

João Barge (1945-2010)
João Cupido (1936-2021)
João Caramba (1950-2013)
João Diniz (1941-2021)
João Henrique Pinho dos Santos (1941-2014)
João Rebola (1945-2018)
João Rocha (1944-2018)
Joaquim Cardoso Veríssimo (1949-2010)
Joaquim da Silva Correia (1946-2021)
Joaquim Peixoto (1949-2018)
Joaquim Vicente Silva (1951-2011)
Joaquim Vidal Saraiva (1936-2015)
Jorge Rosales (1939-2019)
Jorge Teixeira (Portojo) (1945-2017)
José António Almeida Rodrigues (1950-2016)
José Augusto Ribeiro (1939-2020)
José Barreto Pires (1945-2020)
José Ceitil (1947-2020)
José Eduardo Alves (1950-2016)
José Eduardo Oliveira (JERO) (1940-2021)
José Fernando de Andrade Rodrigues (1947-2014)
José Luís Pombo Rodrigues (1934-2017)
José Manuel Dinis (1948-2021)
José Manuel P. Quadrado (1947-2016)
José Martins Rosado Piça (1933-2021)
José Maria da Silva Valente (1946-2020)
José Marques Alves (1947-2013)
José Moreira (1943-2016)
José (ou Zé) Neto (1929-2007)
José Pardete Ferreira (1941-2021)

L/N

Leopoldo Amado (1960-2021)
Libório Tavares (Padre) (1933-2020)
Lúcio Vieira (1943-2020)

Luís Borrega (1948-2013)
Luís Encarnação (1948-2018)
Luís Faria (1948-2013)
Luís F. Moreira (1948-2013)
Luís Henriques (1920-2012)
Luís Rosa (1939-2020)

Mamadu Camará (c. 1940-2021)
Manuel Amaral Campos (1945-2021)

Manuel Carneiro (1952-2018)
Manuel Castro Sampaio (1949-2006)
Manuel Dias Sequeira (1944-2008)
Manuel Martins (1950-2013)
Manuel Moreira (1945-2014)
Manuel Moreira de Castro (1946-2015)
Manuel Varanda Lucas (1942-2010)
Marcelino da Mata (1940-2021)
Maria da Piedade Gouveia (1939-2011)
Maria Manuela Pinheiro (1950-2014)
Mário Gualter Pinto (1945-2019)
Mário Vasconcelos (1945-2017)

Nelson Batalha (1948-2017)

O/V

Otelo Saraiva de Carvalho (1936-2021)

Paulo Fragoso (c.1947-2021)

Queta Baldé (1943-2021)

Raul Albino (1945-2020)
Renato Monteiro (1946-2021)

Rogério da Silva Leitão (1935-2010)

Teresa Reis (1947-2011)
Torcato Mendonça (1944-2021)

Umaru Baldé (1953-2004)

Vasco Pires (1948-2016)
Victor Alves (1949-2016)
Victor Barata (1951-2021)
Victor Condeço (1943-2010)
Vítor Manuel Amaro dos Santos (1944-2014)

Total=115
____________

Notas do editor:

(*) Vd. Blogue Especialistas da Base Aérea 12, Guiné 65/74 > terça-feira, 8 de junho de 2021 > Voo 3599 – Visista ao nosso ComandanteI

(**) Vd. poste de 25 de outiubro de  2021 > Guiné 61/74 - P22660: In Memoriam (416): Victor Barata (1951-2021), ex-1.º Cabo da FAP, Especialista de Instrumentos de Bordo, BA 12, Bissalanca, 1971/73; membro da Tabanca da Grande desde maio de 2006 e fundador, em junho de 2007, do blogue Especialistas da BA 12... Era um "Zé Especial", tratado com muito carinho por "Vitinho"... Velório: hoje, a partir das 16h00 em Campia; Vouzela; missa de corpo presente às 15h00 de amanhã, seguindo depois o féretro para a Casa Crematória de Viseu